A história do figo e da figueira.

A história do figo e da figueira.

O figo não é um fruto simples, mas sim uma infrutescência denominada «sícone»: a parte inferior da flor (receptáculo) envolve a inflorescência, de modo que se forma um receptáculo piriforme, oco, onde se alojam as numerosas flores, que, ao amadurecer, formarão frutos diminutos dispersos no receptáculo, finalmente carnudo. As figueiras são árvores tipicamente mediterrânicas, região de onde procede a maioria dos figos frescos. Pode considerar-se subespontânea em todo o Sul da Europa.

O tronco da figueira (Ficus carica L.) é curto, liso, cinzento e não muito resistente, por ter madeira branda e flexível. Horácio quase falava com desprezo do trunculus ficulnus.

Existem numerosas variedades, que se diferenciam não só pela forma mas também pela cor do receptáculo, que pode ser amarelo, verde ou violáceo. É muito difícil determinar a origem da figueira, porque é cultivada desde tempos imemoráveis e cresce facilmente no estado selvagem. Geralmente considera-se que o seu centro de origem é a Asia Ocidental, mas também há autores que são de opinião que provém da Arábia, onde crescem outras espécies de figueiras que se considerariam antecessoras das espécies que formam híbridos, o que também explicaria as diferenças entre umas e outras.

Na Grécia o figo foi introduzido na época pós-homérica. Pensa-se que as passagens da Odisseia onde a figueira é mencionada tenham sido adicionadas mais tarde. A primeira menção segura é dada por Arquíloco de Paros em 700 a. C. O vinho e os figos converteram-se, por assim dizer, na base da vida dos Gregos; a sua importância é reflectida pelo rumor (fundamentado, ou não, numa realidade) de que se publicou um decreto segundo o qual não se podiam exportar figos de Atenas. Os contrabandistas e comerciantes do mercado negro continuaram ilegalmente a comercialização; chamava-se-lhes ,”sicofantes”. Inclusivamente, o filósofo Platão apreciava muito os figos, que para os Gregos eram de origem divina, já que Deméter os deixou crescer para agradecer a Phytalos a sua hospitalidade.

Os Egípcios chamavam ao figo teb e a Bíblia denominou-o teenah. Isaias comentava que os figos se usavam como apósitos nas feridas.
A figueira de certeza que não chegou a Roma pela Grécia; foi introduzida por mercadores fenícios. Rómulo e Remo foram amamentados pela loba debaixo de uma figueira. Para demonstrar ao Senado como os Cartagineses estavam perto de Roma e para ilustrar esse grave perigo, Catão mostrou figos frescos vindos de Cartago.

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2 Responses to “A história do figo e da figueira.”

  1. Lucas 21,29-33

    E Jesus contou-lhes uma parábola: “Olhai a figueira e todas as árvores. Quando começam a brotar, basta olhá-las para saber que o verão está perto. Vós, do mesmo modo, quando virdes acontecer essas coisas, ficai sabendo que o Reino de Deus está perto. Em verdade vos digo: esta geração não passará antes que tudo aconteça. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão.

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