A história do tremoço, de espontâneo a cultivado, o tremoceiro.

A história do tremoço, de espontâneo a cultivado, o tremoceiro.

Como outras plantas de cultura, também o tremoceiro se transformou com êxito de planta espontânea em autêntica planta de cultura.

Na Península Ibérica cultivam-se três espécies de autóctones: o tremoço (Lupinus albus L. ssp. a/bus), o tremoço-amarelo (Lupinus luteus L.) e o tremoço-bravo (Lupinus angustifolius L.). Estas plantas eram cultivadas unicamente para sideração; enterravam-se com o arado quando tinham crescido o suficiente para enriquecer o solo com substâncias orgânicas. Estes tremoceiros diferenciam-se das formas espontâneas por as suas sementes serem maiores e as plantas mais altas.

O tremoço é rico em proteínas, mas não se podia empregar como forragem, já que tinha um sabor amargo pelo elevado conteúdo em alcalóides, que, para além do mais, são venenosos. O critério primordial de selecção requeria a identificação das espécies com as sementes mais pobres em alcalóides. Este trabalho foi realizado com êxito por R. von Sengebush. Depois de analisar inumeráveis plantas, encontrou três sementes pobres em alcalóides de tremoço-amarelo, duas de tremoço-bravo e uma de tremoço-branco. Os tremoços das plantas obtidas a partir das referidas sementes foram comidos sem dificuldade por animais.

Depois de conseguir este avanço decisivo, tentou-se eliminar outras características não doseadas do tremoceiro selvagem. Era necessário encontrar plantas cujas vagens não se abrissem e que não desprendessem as sementes. Também se tentaram eliminar as cascas duras e a pilosidade das sementes, assim como a excessiva ramificação das plantas. Estas características prejudicavam a germinação da semente ou a maturação uniforme de todas as sementes. A cultura extensiva não era compatível com a sensibilidade da planta aos solos húmidos e calcários. Também estas desvantagens foram eliminadas.

Finalmente, tentou-se encontrar plantas com sementes brancas, por metamorfoses regressivas das sementes escuras. Curiosamente, observou-se a posteriori que as sementes brancas se distinguiam pelo seu maior conteúdo em proteínas.

Quando, por fim, se conseguiu melhorar a resistência do tremoceiro às doenças e parasitas, obteve-se, unicamente em 30 anos, a partir de uma planta com marcado carácter selvagem, uma valiosa planta de cultura, incluída nas designadas «proteaginosas», tendo hoje o tremoço uma fama invejável em todo o mundo.

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2 Responses to “A história do tremoço, de espontâneo a cultivado, o tremoceiro.”

  1. silvano diz:

    bom dia…o tremoço baixa gricemia…se tomar a agua do feijão e comer 9 caroço deixado de molho faz bem ou é mito…

  2. rui diz:

    Quais os benefícios do tremoço bravo e como se come?

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