As leguminosas na história, a verdadeira história dos legumes.

As leguminosas na história, a verdadeira história dos legumes.

Desde tempos imemoráveis que os legumes fazem parte da alimentação humana. Mencionemos brevemente a história de algumas espécies. O grão-de-bico, por exemplo, cultiva-se em todos os países mediterrânicos, principalmente em Espanha e no Oriente. Em Itália encontra-se na Calábria, na Apúlia e nas ilhas. Dá-se bem em solos calcários e suporta a secura, mas exige temperaturas elevadas.

O grão-de-bico actual já não é uma planta espontânea. Pensa-se que o seu centro de origem seja o Próximo Oriente, onde crescem diversas espécies no estado espontâneo. Nada indica que os Egípcios e os Hebreus o tenham aproveitado. Os Gregos, contudo, conheciam-no bem e chamavam-lhe erebinthos, ou brios. A designação erebinthos é mencionada nas obras de Aristófanes e Homero, que, no canto xv da Ilíada, compara as flechas que ressaltam contra o escudo de Menelau com os grãos-de-bico, que, quando são malhados, saltam sobre a eira.

Teofrasto e Dioscórides chamam-lhe brios, que significa «carneiro», já que, com alguma fantasia, a forma da semente recorda a cabeça de um carneiro. O nome latino da espécie de grão-de-bico mais importante economicamente, Cicer arietinum L., tem o mesmo significado (arietinum, parecido com um carneiro). Para o termo Cicer não se encontrou explicação. Terá uma raiz pré-indo-europeia. Encontramo-lo em Columela, Plínio e Horácio. Este último conta-nos, na passagem dos sátiros (Sátiras, 1/6), onde elogia a sua vida livre e simples, o que jantam quando regressam a casa à noite: alhos-porros, grão-de-bico e tortilha: ad porris et ciceris (…J laganique catinam).

Por outro lado, o grão-de-bico não gozava de grande consideração. Talvez o nome cicerón seja um apodo proveniente de cicer. Em Itália ainda é costume comer grão-de-bico no Dia de Defuntos como comida expiatória; é possível que se remonte a um antigo costume de dedicar as lentilhas aos defuntos.

Os Romanos utilizavam o grão-de-bico nas festas florais como nós usamos agora os confeitos. A difusão das lentilhas poderia sugerir que eram autóctones do Mediterrâneo, mas as formas de sementes grandes, que já não crescem no estado espontâneo, vieram da Asia Menor. Nos sedimentos do Neolítico da Europa e da Asia e nas camadas de Hissarlik, ou seja, Tróia, encontraram-se sementes de lentilhas.

No Egipto já eram cultivadas no ano 3000 a. C., estando representadas nos baixos-relevos do túmulo de Ramsés II, em Tebas (c. 1200 a. C.). Também em sânscrito e persa antigo a lentilha tinha um nome. É muito conhecida a história bíblica da comida com lentilhas de Esaú; provavelmente tratava-se de lentilhas vermelhas de espécies orientais. A David ofereceram-lhe lentilhas no deserto. A Bíblia chama-lhes adaschim, uma palavra que chegou ao árabe quase inalterada.

Para os Gregos a lentilha era phakos, como Aristófanes lhes chama nas suas comédias. Os Romanos comiam lentilhas quando alguém falecia; Catão ensinava como se deviam cultivar e preparar com vinagre.

Não se encontraram vestígios de feijões na Europa, nem de tempos pré-históricos nem dos históricos. O seu valor nutritivo é muito elevado e é comparável ao da carne. Apesar disso, era considerado um alimento ordinário e de difícil digestão, que «provoca pesadelos, barriga volumosa e gases (Pictro Andrea Mattioli, 1500-1577).

A história da ervilha é bastante confusa: nos sedimentos do Neolítico só se descobriram algumas sementes pequenas; as camadas da Idade do Bronze forneceram mais achados (entre outros, em Tróia). Nada indica que a ervilha estivesse presente no Egipto e na Palestina bíblica. O actual nome árabe, basilla, é procedente do italiano.

Pensa-se que as espécies nobres, que podem ter sido formadas por mutação da espécie Pisum elatius Stev., chegaram ao Ocidente com os povos indo-europeus ou por migrações. Os escritores gregos falam de pisos, ou pison, que em latim se transforma em pisum, mas não se tem a certeza se se trata das ervilhas verdadeiras ou de outros legumes, já que estas descrições eram muito imprecisas na Antiguidade.

Por outro lado, a suposição da origem indo-europeia e provavelmente do Próximo Oriente da ervilha não é coincidente com a afirmação que alguns autores fazem de que na Antiguidade já era cultivada nas costas do mar Negro e no Indostão.

A excepção do português e do castelhano, as línguas da Europa Ocidental adoptam a denominação latina pisum para a ervilha: em italiano, pisello, em francês, pois, em inglês, pea, e em catalão, peso!.

As sementes destas plantas, conhecidas como legumes, contém proporcionalmente muitas proteínas, pelo que constituem um complemento ideal dos cereais. Algumas leguminosas dos trópicos e subtrópicos desenvolvem sementes, que, para além das proteínas e glúcidos, são ricas em lipidos, como a soja, de que se obtém um excelente óleo culinário.

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One Response to “As leguminosas na história, a verdadeira história dos legumes.”

  1. Fernando diz:

    Isso não são leguminosas. são legumes
    leguminosas são os grãos como feijão …

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